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Confecção e renda em rede

Confecção e renda em rede

Nane encontrou na costura uma fonte de renda e uma poderosa união: trabalho e sonhos compartilhados com o grupo produtivo Charlotte.

A costura entrelaçou suas linhas na vida da Djenane Martins, 44 anos, conhecida como Nane, há mais de 15 anos. Desde o seu primeiro contato com as malhas e aviamentos, ambas se tornaram uma só. Hoje, integra o grupo solidário Charlotte – Arte em Costura, em São Bernardo do Campo (SP). Composto também por Terezinha Florência dos Santos, 66 anos; Eliane Florência Romano, 43 anos; e Maria Paiva de Oliveira, 49 anos, criam peças sustentáveis, comercializadas principalmente como brindes coorporativos. “Hoje nos consideramos uma família, e o que temos de mais valioso é a nossa união. Somos considerados um case de sucesso, pois, deu certo em muitos aspectos. No começo queríamos apenas gerar renda e ter um trabalho, não imaginávamos que a Charlotte teria essa proporção que alcançou”, explica Nane sobre o trabalho em rede.

O início aconteceu em 2002 quando participou de um curso de corte e costura, pensando apenas em ocupar o seu tempo. “Na época minha irmã trabalhava em uma empresa que costura bancos de carros, e pediu demissão. Depois de um tempo ela começou a costurar com a nossa vizinha que tinha uma oficina de costura, e um dia levou umas blusinhas para eu colocar alça. A partir daí me animei mais ainda e tomei gosto pela costura”.

Com o passar do tempo também percebeu que a atividade poderia ser uma fonte de renda: “Como na época eu tinha obesidade mórbida, vi ali uma oportunidade de trabalho, já que nenhuma empresa queria me contratar, por preconceito quanto ao meu peso e porque enxergavam em mim, uma pessoa que teria vários problemas de saúde”, explica a empreendedora.

Então, passou a costurar com sua vizinha, e conheceu o restante do grupo: “Já sabíamos que queríamos trabalhar em grupo, porque trabalhávamos como facção. Além disso, se você quer atuar com costura tendo uma produção grande, é muito importante trabalhar de forma coletiva”.
O ano 2009 foi um período de transição: Nane fez uma cirurgia de redução de estômago, para tratar o problema de sobrepeso, e as integrantes saíram da facção, e estruturam um negócio do zero, pensando em novos produtos e serviços com os quais se identificavam. Nascia então a Charlotte: “A proposta de trabalhar com materiais residuais de banner veio em um momento em que as sacolas plásticas iriam sair de circulação. Como isso não aconteceu, acabamos vendendo as ecobags fabricadas como brindes. Lembro que a primeira encomenda foi de 30 sacolas, e um motivo de muita comemoração para nós”.

O grupo foi incubado pela ITCP-FGV, e participou do seu primeiro curso de gestão financeira. Posteriormente, a Charlotte participou do Coletivo Artes, uma iniciativa do Instituto Coca-Cola em parceria com a Aliança Empreendedora e a Rede Asta. “Já tínhamos encomenda para 1000 ecobags. Precisávamos gerir o negócio, e por isso procuramos ter uma estrutura profissional de gestão: normas como horários a serem cumpridos, qualidade do produto, precificação adequada e prazo de produção”, detalha Nane.

Nane explica que a Burda Style veio como uma ferramenta de conhecimento para o grupo, com informações atualizadas. “Na revista encontramos conteúdos que casavam muito bem com o que que precisávamos aprofundar. Até hoje, acredito que os modelos e moldes são os melhores que encontramos de forma facilitada. Além disso, sempre vemos conteúdos que não se enquadram apenas na moda no aspecto de confecção, mas também em tudo que se refere o setor têxtil, sobre novas tendências do mercado por exemplo”,

O grupo Charlotte também foi incubado pela Oficina de Economia Solidária da Prefeitura de São Bernardo do Campo, e participou da Rede Costurando o Futuro, uma iniciativa da Fundação Volkswagen em parceria com a Aliança Empreendedora. Hoje as empreendedoras seguem com seu negócio, com a Nane sendo a atual presidente da Unisol São Paulo, uma central de cooperativas de empreendimentos solidários da cidade de São Paulo. “Atualmente trabalhamos em rede ajudando grupos de costura e compartilhando os nossos conhecimentos e experiências”.

Para Nane o empreendedorismo com a costura aconteceu por acaso, porque acreditou no potencial de seu trabalho e de suas colegas, com todas seguindo juntas não só para aumentar a renda, mas também para explorar o que de melhor cada uma tem para oferecer: “A partir do momento que seguimos nossos sonhos, não podemos deixar que os obstáculos nos façam desistir. Irão sim existir muitas dificuldades, a caminhada pode ser longa, mas ao final o esforço colocado terá valido a pena. Porque cada conquista significa que estamos no caminho certo, e ter o seu valor reconhecido, isso não tem preço”, incentiva Nane que querem empreender e seguir com seus negócios no caminho da costura.

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